Avaré recebe concerto gratuito de bandolins no auditório do IFSP
legenda: Projeto de Maik Oliveira e Rafael Esteves apresenta as possibilidades sonoras do bandolim, um dos instrumentos mais emblemáticos da música brasileira, mesclando choro com música instrumental e de câmera
Fonte da Foto: AssessoriaNo dia 12 de março de 2026, quinta, o Banduo - formado pelos bandolinistas Maik Oliveira e Rafael Esteves - lança o álbum Dobras no Auditório do IFSP - Campus Avaré, às 20h, com entrada gratuita. O concerto tem participação especial de Victor Guedes no violão tenor, e conta com intérprete de Libras, audiodescrição, espaços reservados e mediação para o acolhimento de pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos.
Esse trabalho integra o projeto Banduo - O Bandolim e Suas Texturas, lançado pelo duo, em 2025, no qual exploram as possibilidades sonoras do bandolim. Com direção musical de Alisson Amador, o álbum apresenta 10 faixas inéditas, entre composições próprias e de outros autores, feitas especialmente para o Banduo. Os arranjos trazem assinaturas de quatro instrumentistas, referências na cena contemporânea - Edmilson Capelupi, Milton Mori, Marcílio Lopes e Alisson Amador, além do próprio Rafael Esteves.
Nesse dueto, o virtuosismo de Maik Oliveira e Rafael Esteves é aplicado às possibilidades do bandolim, mesclando influências do choro com o instrumental brasileiro e a música de câmara (com destaque para J.S. Bach) em busca de sonoridades inovadoras e potentes. O flerte com a música camerística traz uma singularidade muito em virtude da formação inusitada de dois bandolins. Os músicos ressaltam a importância desse encontro sonoro de dois instrumentistas que começaram tocando samba e pagode na periferia de São Paulo - Maik em São Bernardo do Campo e Rafael em Guarulhos - até iniciarem no universo do choro. E agora, o encontro com Alisson Amador, músico de formação clássica, natural de Heliópolis, que chegou para contribuir, inicialmente como professor de rítmica, chegando à direção musical pela sintonia identitária com os artistas e com o trabalho do Banduo.
Abrindo o álbum, “Estudo em G Menor” (Rafael Esteves) tem arranjo do autor e de Milton Mori. Nasceu como um estudo de técnica e ganhou uma segunda voz de bandolim no arranjo de Mori. Uma surpresa no meio do caminho, referindo-se à tonalidade, dá uma bela prévia do que vem pela frente. A segunda faixa, “Manu” (Edmilson Capelupi), com arranjo do autor, foi composta especialmente para o Banduo; uma “polca saltitante” em homenagem à Manu, filha de Maik. A faixa evidencia a beleza do instrumento em três partes com funções muito bem definidas: Maik no acompanhamento e Rafael no solo para finalizar em equilíbrio e harmonia entre os dois bandolins.
As próximas composições - Suíte Banduo (Rafael Esteves) - traz os três movimentos tradicionais da música de câmara. Criação do autor e arranjador para esse trabalho, a primeira, “Suite Banduo: I. Joropo”, é uma valsa em referência ao homônimo gênero tradicional venezuelano, de ritmo alegre e dançante. “Suíte Banduo: II. Valsa Evocativa”, como o próprio nome sugere, é mais lenta, melancólica; uma valsa-choro na qual a mistura incomum do erudito com o choro popular se converge na beleza nesse arranjo. No terceiro movimento, “Suíte Banduo: III. Choro”, o arranjo retoma o tom alegre, vibrante, como o bandolim tradicional tocando choro.
A sexta faixa, “Portal Favela” (Alisson Amador), tem significado amplo em Dobras - com arranjo do autor. A composição foi inspirada no encontro entre os três músicos. O tema narra a história desses artistas que atravessaram o ‘portal periférico’ e celebram juntos na música, no ritmo, na arte desse trabalho. Seguindo, vem “Leonor” (Maik Oliveira e Rafael Esteves), cuja primeira parte havia sido composta por Rafael, há tempos. Maik entrou com seu talento na criação da segunda parte e Rafael fechou a obra. A faixa, muito representativa desse projeto dos bandolinistas, conta com arranjo assinado por Marcilio Lopes, que ressalta as características do regional de choro, e tem participação especial de Milton Mori no violão tenor. Marcílio e Mori também estão presentes em “Brandura de Gênio” (Rafael Esteves) que, assim como a música anterior, tem destaque na sonoridade do regional de choro. A composição de Rafael é uma homenagem ao amigo Beto Casemiro, bandolinista do ABC falecido em 2020.
Chegando no final vem o belo choro “Conversa de Bandolins” (Milton Mori), composto especialmente para Dobras. A música marcou o início dos estudos de Maik Oliveira e Rafael Esteves para o álbum, sendo um deleite para o duo ao possibilitar o trânsito pelas nuances rítmicas e harmônicas do bandolim. Também arranjador da faixa, Mori a compôs pensando unicamente no instrumento em questão. O choro ritmado “Não Foi Dessa Vez!” (Maik Oliveira) fecha o álbum em arranjo primoroso de Edmilson Capelupi, que explora a densidade rítmica e harmônica do instrumento com nuances provocativas, deixando a parte final para o improviso livre dos bandolinistas. Maik compôs a música para um festival, estimulado por seu amigo e professor Renan Bragatto, mas não a tempo de se inscrever, permanecendo inédita até o momento.
O bandolim - instrumento emblemático da música brasileira, ligado a nomes como Jacob do Bandolim, Luperce Miranda, Isaías Bueno e Déo Rian - ganhou um novo olhar nesse projeto pelo diálogo entre o choro e a música de câmara, ampliado por uma abordagem contemporânea capaz de atrair os ouvintes mais diversos.
Maik Oliveira é bandolinista com mais de 20 anos de trajetória. Tocou com nomes como Inezita Barroso, Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Nilze Carvalho, Eduardo Gudin, Sérgio Reis e Rolando Boldrin. Foi aluno de Jane do Bandolim, Edmilson Capelupi, Silvia Góes e Luizinho 7 Cordas. Atualmente tem seu trabalho solo Maik Oliveira e Regional e integra os grupos de Marina de la Riva e Paula Sanches.
Rafael Esteves é bandolinista, educador, compositor e arranjador. Venceu o Festival Jorge Assad com o Quarteto Pizindim, com o qual se apresenta em unidades do Sesc e outros circuitos culturais. Como solista, já atuou com a OCAM-USP e com grandes nomes da música brasileira como Dona Ivone Lara, Monarco, Almir Guineto e Péricles.
O projeto Banduo
O Banduo - O Bandolim e Suas Texturas é um projeto realizado com recursos do edital PNAB 24/2024 de Gravação e Lançamento de Álbum Musical Inédito, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB); do Programa de Ação Cultural - ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo; e do Ministério da Cultura e do Governo Federal. Além da gravação do álbum, o Banduo vem realizando circulação com sete apresentações: dois concertos didáticos e cinco shows (pré-lançamento e lançamento). Os concertos didáticos, realizados em polos do Projeto Guri, têm o objetivo de compartilhar com os alunos o processo criativo, a preparação do disco, a criação dos arranjos e a construção do repertório, além de abordar o bandolim e sua história.
Ficha técnica - Banduo: Rafael Esteves e Maik Oliveira (bandolins). Músico convidado: Victor Guedes (violão tenor). Técnica de som: Silvia Beltrami. Iluminação: Du Javaro. Intérprete de Libras: Thais Tavares. Audiodescrição: Ver Com Palavras. Mediação: Maria Gabriela. Assessoria em acessibilidade: Manoel Negraes (Vias Abertas - Comunicação, Cultura e Inclusão). Fotos: Rebeca Figueiredo. Designer gráfico e identidade visual: Bruno Conde. Assessoria de imprensa: Verbena Comunicação. Concepção do projeto: Rafael Esteves e Maik Oliveira. Produção: Leonardo Escobar (PiÔ - Produção e Projetos).
Serviço
Show/lançamento: Banduo - Dobras
Dia 12 de março de 2026 - Quinta, às 20h
Entrada gratuita. Duração: 60 minutos. Classificação: Livre.
Local: Auditório do IFSP Campus Avaré
Av. Prof. Celso Ferreira da Silva, 1333 - Jd. Europa II, Avaré/SP.
Banduo na rede: https://www.instagram.com/obanduo/
Conteúdo digital do projeto: https://linktr.ee/obanduo
