Rememorando antigos Natais

Rememorando antigos Natais

legenda: Da procissão do Menino Jesus à primeira árvore montada na praça

Foto Fonte: Arquivo Gesiel Jr

Gesiel Júnior

Cidade predominantemente católica, Avaré costuma celebrar o nascimento de Cristo desde os remotos tempos quando ainda era chamada de Patrimônio de Nossa Senhora das Dores.

Das celebrações emblemáticas, a mais lembrada é a Missa do Galo, então oficiada depois do jantar da véspera de Natal, à meia noite de 24 para 25 de dezembro. Seu nome consagra a lenda segundo a qual nesse horário um galo teria cantado, anunciando a vinda do Messias.

Tradicionalmente, depois dessa missa solene, as famílias voltavam para casa, se reuniam para rezar em torno do presépio para depois distribuir os presentes e compartilhar a ceia natalina.

Até os anos 1930 essa comemoração mantinha o seu caráter essencialmente religioso, pois a figura do Papai Noel era ainda pouco divulgada no país e isso evitava a conotação comercial que mais tarde atingiria a importante festa cristã.

“CARTUCHO DE DOCES” - Conforme registrou o padre Celso Diogo Ferreira (1903-1998), no seu primeiro Natal como pároco em Avaré, ele organizou a procissão do Menino Jesus.

Para tanto, na manhã de 25 de dezembro de 1935 o jovem pároco, de 32 anos, após ter celebrado a Missa do Galo no começo da madrugada, dormiu poucas horas e levantou-se bem cedo para receber a garotada na porta da igreja matriz. 

Como havia chovido naquela noite ele assim anotou em suas memórias: “Apesar do aguaceiro, perto de quinhentas crianças com as suas bandeirinhas percorreram algumas ruas levando o Menino Jesus rodeado de pastoras e pastorinhas”. O padre relatou ter, no fim, distribuído “um cartucho de doces a cada uma”.

Criativo, nos anos seguintes, o futuro monsenhor Celso reservava para o tempo do Natal a entrega de melhoramentos na principal igreja da cidade. Em 1936 deu-se a inauguração do relógio da matriz e seus quatro mostradores, fato visto como de grande utilidade pública. Já em 1937 foi a vez dos cinco novos sinos serem abençoados na Missa do Galo antes de serem erguidos para o campanário.

ÁRVORE NA ESQUINA – Até meados da década de 1950 ainda não existia o costume de enfeitar as vias públicas com decoração natalina.

Até que, em dezembro de 1955, em frente ao Bar do Nello no Avaré Hotel, na esquina do Largo São João, a primeira árvore de Natal apareceu montada no centro comercial. A partir daí é que lojistas se sentiram motivados a ornamentar os seus estabelecimentos para alegrar o ambiente e atrair a freguesia para as compras de presentes e lembranças.

Simbologia

Em vários países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para enfeitar casas e outros ambientes. Junto com as decorações natalinas, as árvores garantem um clima especial nesta importante época do ano.

Bem antes, entretanto, na antiga lenda romana, a árvore era usada para homenagear o deus do vinho, Baco, que representa a fertilidade, fartura e bons frutos.

Na Idade Média, de acordo com pesquisadores das tradições cristãs, a montagem de árvore de Natal surgiu por volta de 1530, na Alemanha, com o padre Martinho Lutero (1483-1546), o precursor do protestantismo.

Conta-se que, quando caminhava em certa noite por entre uma floresta de pinheiros, Lutero se encantou ao vê-la iluminada pelas estrelas. Resolveu então levar um galho do pinheiro para sua casa. Chegando lá, colocou o galho em um vaso e o enfeitou com velas. Depois, usou aquela imagem para mostrar como ficou o céu, na noite em que o Jesus menino veio ao mundo, pela primeira vez.

O presépio, por sua vez, representa outra importante decoração natalina. Ele mostra o cenário do nascimento de Cristo, ou seja, uma manjedoura, os animais, os magos e os pais do menino. Esta tradição foi iniciada com o santo frade Francisco de Assis, no século XIII.

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