Padre Paulo Goecke: 25 anos sem o distinto monge alemão

Padre Paulo Goecke: 25 anos sem o distinto monge alemão

legenda: Religioso cisterciense teve marcante atuação em Avaré

Foto Fonte: Arquivo Gesiel Jr.

Gesiel Júnior

Na data de 5 de março de 2017 transcorreu o vigésimo quinto aniversário da morte do padre Paulo Goecke, que durante 28 anos atuou como guia espiritual da igreja matriz de São Benedito, a segunda paróquia de Avaré, criada em 1960.

Figura culta, de refinada educação e de forte personalidade, padre Paulo influenciou na sociedade avareense, entre as décadas de 1960 e 1980, não somente como ministro religioso, mas também pela sua atuação arrojada na área assistencial.

Nascido na cidade de Menden, na região da Vestfália, Alemanha, em 13 de setembro de 1924, na juventude, segundo norma do 3º Reich, ele se viu obrigado a se alistar na juventude hitlerista para evitar dissabores, a exemplo do que se deu também com outro adolescente ainda desconhecido: Josef Ratzinger, o futuro papa Bento XVI.

Na traumatizante 2ª Guerra Mundial, a família Goecke perdeu muitos de seus membros no decorrer do pavoroso conflito. Sua mãe, Anna, era originária de Waldfischbach, na Floresta Negra, e era prima de Karl Heinrich Lübke (1894-1972), que foi presidente da Alemanha Ocidental de 1959 a 1969.

Sob influência dos seus piedosos pais, o jovem alemão decidiu então ingressar na vida monástica na medieval Abadia Cisterciense de Hardehausen que, desde 1938, estava transferindo seus monges para o Brasil.

Com efeito, em 1952, adotando o nome religioso de frei Bernardo, ele aportou no país e enclaustrou-se no recém-fundado Mosteiro de Nossa Senhora da Assunção, em Itatinga, cujas harmoniosas instalações ajudou a construir, enquanto aprofundava seus estudos teológicos.

Passados cinco anos, dom Henrique Golland Trindade, bispo de Botucatu, conferiu-lhe a ordenação sacerdotal na igreja de São João Batista, de Itatinga, no dia 1º de dezembro de 1957.

Autorizado pelos superiores, frei Bernardo Goecke cooperava com monsenhor Celso Ferreira (1903-1998), em Avaré, nos fins de semana, auxiliando-o nos ofícios religiosos em sua extensa paróquia. Entretanto, afastou-se do mosteiro em 1961 para responder pela Paróquia de Santa Cruz de Timburi. 

FÉ, TRABALHO E CIDADANIA - Aos 39 anos de idade, padre Paulo assumiu como terceiro pároco da igreja de São Benedito no dia 11 de fevereiro de 1963. De imediato os fiéis notaram o estilo do ex-monge, sua piedade eucarística e o seu bom gosto pela arte e música sacras, motivando o aprimoramento do Coral São Pio X, a encenação da Paixão de Cristo e a celebração anual do Dia de Ação de Graças.

Em 1966, com apoio da família Bannwart, fundou e organizou a Casa da Criança Santa Elisabeth para atender filhos de mães operárias. Contou inicialmente com o serviço de freiras dominicanas no atendimento infantil.

Atento às mudanças litúrgicas e pastorais preconizadas pelo Concílio Vaticano II, padre Paulo incentivou na paróquia o Encontro de Casais com Cristo (ECC), o Cursilho de Cristandade e o Treinamento de Liderança Cristã (TLC).

Com a inauguração da Penitenciária Estadual, em 1970, foi designado capelão, função que desempenhou por mais de 15 anos. Para intensificar suas atividades na pastoral carcerária, entre os anos de 1975 e 1978, licenciou-se da paróquia, embora tenha continuado a residir no município, em casa às margens da Represa Jurumirim.

De volta à função de pároco, ele construiu amplas e novas instalações para o salão, secretaria e casa paroquial. Ao mesmo tempo, promoveu a conservação da igreja matriz e apoiou a criação da Paróquia de São Pedro Apóstolo e a construção da futura igreja matriz de São José.

Em 1982, quando completou 25 anos de sacerdócio, a Câmara de Vereadores outorgou ao padre Paulo o título de Cidadão Avareense, num gesto de reconhecimento pelas obras em favor da comunidade.

Seis anos depois um fato lamentável abalou-o emocionalmente: vítima de assalto à mão armada em sua própria residência, ele não conseguiu superar o choque e, nos meses seguintes, sua saúde definhou com a descoberta de um câncer.

Afastou-se das atividades pastorais no fim de 1990 e passou a contar com auxílio do padre Jacob Augustyn (1931-2006), vigário paroquial. No início de 1992, já bastante fragilizado pela doença, optou por retornar a Alemanha. Faleceu recolhido numa clínica de sua cidade natal, aos 67 anos.

Dias antes de sua morte, padre Paulo despediu-se dos paroquianos com uma comovente e questionadora mensagem de adeus: “Não posso mais voltar. Estou no fim. Só resta rezar. Estou somente nas mãos de Deus. Por 28 anos servi a comunidade de São Benedito. Obrigado a todos. Estarei sempre com vocês para abençoá-los. Muitos receberam de minhas mãos o Cristo na comunhão. Ainda continuam com Ele?”

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