No Rio Novo, mais lampiões com a República

No Rio Novo, mais lampiões com a República

legenda: As mudanças em Avaré no regime presidencialista

Fonte da Foto: Arquivo Gesiel Jr

GESIEL JÚNIOR

O golpe militar que derrubou a monarquia constitucional parlamentarista no Brasil, em 15 de novembro de 1889, dividiu opiniões na Vila do Rio Novo.

Nos dias seguintes à Proclamação da República, relata o memorialista Jango Pires, a notícia entusiasmou tanto o hoteleiro Joaquim Gomes Coimbra, que até altas horas da noite ele saltava em frente do seu estabelecimento na esquina da Rua 7 de Setembro com a Travessa São Sebastião (hoje, Rua São Paulo com Rua Rio Grande do Sul, onde está o Magazine Luiza), exclamando: “Ora viva a República! Ora viva a República!”

Nesse tempo governava o município o fazendeiro Antônio Bento Alves, presidente da Câmara de Vereadores, cuja função detinha também caráter executivo. Além dele, exerciam a vereança Francisco Pinto de Magalhães, Francisco de Assis Nogueira, Francisco Pinto de Melo, José Leal de Carvalho e os irmãos Juca e João Dionísio Franco do Prado, todos do Partido Conservador, os quais eram chamados de “Cascudos” por teimosamente apoiarem o imperador Pedro II.

A mudança do regime político tornou tenso o clima na bucólica e pacata vila, cuja população se aproximava dos 10 mil habitantes. Incumbiram-se de organizar a nova Junta Governativa o médico Joaquim Alfredo Siqueira, o fazendeiro José Corrêa de Almeida Pires e o negociante italiano José Magaldi.

Os três receberam as chaves da Câmara das mãos do alferes Manoel Marcellino de Souza Franco, o Maneco Dionísio, principal liderança monarquista da região. Ele vinha ocupando o cargo de secretário do Legislativo desde 1876, quando, por sua influência junto à Corte o município foi instalado.

Assumiu como primeiro presidente do Conselho de Intendência do Rio Novo, função equivalente a de prefeito, o fazendeiro Eduardo Lopes de Oliveira. Coube a ele, após a classificação da comarca em primeira entrância, instalar o Judiciário na vila com a posse do primeiro juiz de Direito, Simão de Oliveira Lima, em 11 de fevereiro de 1890.

O fim da monarquia decretou a extinção do Partido Conservador. Os republicanos, antes chamados de “Farrapos” na clandestinidade, iniciaram violenta campanha para desmoralizar os adversários.

Expulso da vila sob pressão do coronel Artur Machado, nomeado delegado de polícia, Maneco Dionísio voltou, meses depois, ovacionado pelos rionovenses. E manteve o seu prestígio político a ponto de ter o nome indicado para concorrer à eleição de deputados para a Assembléia Constituinte pelo Partido Católico, ao que ele recusou.

Em janeiro de 1891, Jorge Tibiriçá, o segundo governador republicano de São Paulo, exonerou Francisco Barbosa Sandoval do cargo de membro do mesmo conselho e nomeou para integrá-lo José Magaldi, Antonio José Varella de Castro e Edmundo Trench Júnior.

Em maio do mesmo ano o governador Américo Brasiliense decretou a mudança do nome do Rio Novo para Cidade do Avaré. O ato, pleiteado por correligionários de Eduardo Lopes, é até hoje visto como provocação política, pois Avaré era o nome de sua extensa propriedade rural, a Fazenda do Avaré.

Ainda nessa mesma época, a notícia do assassinato de Artur Machado alarmou a vila. O delegado acabou sendo morto, após desavença com os irmãos Piranha, no centro da cidade, na antiga Travessa Visconde do Rio Branco (atual Rua Rio de Janeiro) sobre a ponte que ligava as Ruas São João e Princesa Isabel (hoje, respectivamente, Ruas Alagoas e Santa Catarina).

LUZES REPUBLICANAS - Iluminada por lampiões a querosene a partir de 1885, a Vila do Rio Novo, por falta de verbas orçamentárias imperiais, custou a receber os benefícios da iluminação pública.

No regime republicano houve mais investimentos no setor e muitos outros postes foram instalados pelas ruas da cidade. Contudo, a chegada da benfeitoria, cinco anos antes, marcou época e foi das mais solenes. Tudo para inaugurar a iluminação pública formada por 18 lampiões a querosene. Reportagem veiculada nas páginas do jornal “O Rio-Novense”, em 5 de setembro de 1890, assim descreveu o episódio:

“À hora aprazada, certamente ao escurecer – José Dionísio Franco do Prado (Juca Dionísio), presidente da Câmara do então Rio Novo, inaugurou oficialmente o grande melhoramento. Ao lampião é encostada pequena escada. O chefe da edilidade firma-se no segundo degrau, ajeita-se, risca um palito de fósforo e aproxima a chama ao pavio embebido de querosene. Acendeu! Palmas, abraços, discursos e a massa popular, em meio de vivas, acompanha as autoridades e pessoas gradas ao pé de outros lampiões, que são iluminados sempre entre entusiásticas aclamações”.

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