Nas esculturas de Mazzola, expressões de arte e fé

Nas esculturas de Mazzola, expressões de arte e fé

legenda: Criador dos principais monumentos instalados na Estância Turística de Avaré

Fonte da Foto: Arquivo

Gesiel Júnior

Criador dos principais monumentos instalados na Estância Turística de Avaré, o escultor Fausto Mazzola é alvo de homenagens em Avaré pelo seu centenário de nascimento, que transcorre em 30 de setembro. Na cidade ele trabalhou como educador por alguns anos, mas nas suas praças quis produzir o melhor da sua arte para enriquecer o patrimônio cultural avareense.

Artista extraordinário, executor de bustos, medalhões e monumentos para mais de 30 cidades paulistas, mineiras e fluminenses, Mazzola está tendo a sua obra revista com novos olhos e assim, melhor entendida e mais valorizada em Avaré, onde o seu nome hoje está perpetuado como patrono da Escola Técnica Estadual.

Ainda adolescente, o jovem Fausto manifestou gosto pelas artes plásticas. Estudou escultura na Escola Técnica “Getúlio Vargas”, em São Paulo. Complementou o aprendizado cursando a Escola de Belas Artes, na mesma capital, como aluno livre e também lá freqüentou o Liceu de Artes e Ofícios, quando ajudou na ornamentação da Catedral da Sé, junto de seu mestre, o escultor sueco Ferdinand Frieck.

Com louvor, em meados dos anos 1950, classificou-se em primeiro lugar no concurso de provas e títulos para professor de Escultura em escolas profissionais do Estado. O laço com Avaré firmou-se em 1958, quando assumiu a direção da antiga Escola Artesanal, instituição profissionalizante, embrião da atual Escola Estadual “Paulo Araújo Novaes”.

“Papai ficou deslumbrado com a acolhida em Avaré”, revela hoje o filho Gustavo. Em retribuição, o mestre aqui produziu criativamente expressando em sentimentos e ideias a sua arte concretizada em volumes e formas, hoje vistas em nossas praças e jardins.

Convidado, primeiramente Mazzola moldou em cimento branco a escultura “Cristo em Ascensão” no Largo Santa Cruz, em 1958. No processo de produção escultural, empregou técnicas como fundição, moldura ou o trabalho com ferramentas na matéria prima bruta.

“O Desbravador”, estátua de 4 metros, erguida há 60 anos na Praça Prefeito Romeu Bretas, representa a luta dos fundadores. Convidado pelo escultor, serviu de modelo dessa escultura o desportista Hadel Aurani, cujo físico chamava a atenção pelo volume dos músculos, resultado de sua participação em torneios de judô.

O Relógio Solar, de 1959, no centro da Praça Juca Novaes, é outra marca evidente do talento de Mazzola. O simbólico trabalho é uma homenagem da colônia japonesa ao povo avareense.

Entretanto, no Largo São João fica o perímetro onde estão as esculturas mais conhecidas do artista, inauguradas em 1961, por ocasião do centenário da cidade: a Fonte das Artes, com suas representações da mitologia grega, e o monumento ao Pracinha, que inclui original pedestal reproduzido depois por outros escultores e arquitetos brasileiros.

Ainda na cidade podem ser observadas, no centro histórico, marquises construídas de forma a não interferirem nas pistas dos passeios ajardinados e calçadas decoradas em mosaico português, com desenhos formados por palmas gregas, trabalhos arquitetônicos todos da autoria de Mazzola. Há ainda dois bustos de importantes personalidades por ele esculpidos: o do monsenhor Celso Ferreira (1960) e do ex-governador Abreu Sodré (1970), os quais enriquecem o acervo do artista em território avareense.

Homenageado em 1959 com o título de cidadania pela Câmara de Avaré, Fausto Mazzola visitou a cidade pela última vez em 2001, quando reencontrou amigos e ex-alunos e conferiu o estado de suas obras. Morreu no dia 21 de abril de 2004, aos 85 anos de idade, em Campinas, perto da família e onde também deixou trabalhos significativos que traduzem a genialidade da sua arte concebida para preservar a história e exprimir a fé.

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